Pessoas que vivem nas ruas entraram em contato com o universo artístico ao visitar a Pinacoteca do Estado, em um dos passeios realizados pela Casa de Convivência Porto Seguro. A partir de então, esta aproximação rendeu uma oficina de xilogravura realizada semanalmente na Casa por um arte-educador mantido pela Pinacoteca, além das visitas ao acervo, que passaram a ser rotina daqueles moradores.
No dia 07 de março, a Pinacoteca abriu as portas para mostrar as obras prontas de 30 pessoas que moram ou que já moraram nas ruas.
A artesã Sandra Maria Rodrigues carrega uma herança de abandono. O pai abandonou a mãe, que abandonou os filhos e ela, por sua vez, entregou o filho de um ano num abrigo. "Eu dormia, um dia, em um albergue. No outro dia, em outro albergue. Quando as pessoas ficavam com dó, me levavam um dia para dormir na casa deles. Aí, eu tinha que sair de manhãzinha", revela Sandra.
Todos eles têm uma história de solidão e se sentiram acolhidos nas oficinas de arte da Casa de Convivência. "Ajudou a pessoa a voltar para a infância, a resgatar sonhos, a descobrir algo que acreditava que não fosse capaz", explica Ediwiges Knist, coordenadora das oficinas de arte.
Jorge, João Batista e Sandra agora podem caminhar por aqui e se sentir parte desse mundo da arte. "Jamais imaginava uma obra de arte minha em um museu desses. Para mim, é uma coisa que emociona muito", confessa Sandra.
"Eu não pensei que íamos chegar tão longe", afirma Jorge, outro expositor.
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