REFORMA BRASIL – Movimento apartidário por uma reforma política de verdade

REFORMA BRASIL – Movimento apartidário por uma reforma política de verdade
31 de outubro de 2017 Ana Carolina Rocha Barbosa
Encontram-se a graça e a verdade, a justiça e a paz se beijaram. (Salmos 85:10)

Vale de ossos secos¹ é a paisagem política brasileira na atualidade, território dominado por legiões de mortos-vivos, instalados nos centros de poder do País. São cadáveres insepultos da política que continuam a circular impunes, graças ao salvo-conduto do foro privilegiado, às malas de dinheiro e às relações corporativas nefastas com os tribunais.

Nesse cenário desolador, reafirmamos a democracia como valor inegociável e a política, como instrumento essencial na vida do País. Entretanto, é preciso democratizar a democracia, reformando estruturas e mecanismos da política para que cumpram sua missão na mediação dos interesses conflitantes na sociedade plural em que vivemos. Isso será alcançado somente se a sociedade estabelecer as regras da política, e não os políticos de carreira que aí estão.

Urgentes são as reformas que o País precisa, mas a reforma das reformas é a das estruturas políticas e dos mecanismos eleitorais. Sem reforma política de verdade, reforma alguma será feita com visão daquilo que é o melhor para o futuro da nação. Reduzir desigualdades, aumentar a produtividade, zelar pelo meio ambiente e combater a corrupção não são coisas antagônicas  entre si, são todas desejáveis e necessárias, mas tem sido combatidas pela ação sistemática de uma classe política que só tem como perpetuação no poder e nunca o bem-estar das gerações vindouras.

O sistema político vigente descolou-se da sociedade e da realidade. A reforma política tornou-se vital para que os cidadãos exerçam o poder que lhes pertence por direito constitucional. Representação política não pode ser profissão e jamais fonte de enriquecimento ilícito. O sistema político precisa ser reformado para que o exercício da política esteja a serviço do bem comum e para que os representantes políticos voltem para a realidade na qual vivem os brasileiros.

O atual sistema político cavou um abismo entre os políticos e os eleitores, e constatamos com indignação que tal sistema tem atraído, com raras exceções, somente pessoais inescrupulosas e com as piores intenções possíveis.

A caminhada democrática das últimas décadas indica que são urgente as seguintes  mudanças nas regras da política brasileira:

Hoje, dia em que celebramos o V Centenário da Reforma Protestante, assumimos o compromisso de apoiar e lutar por uma reforma política de verdade em nosso país. Ressaltamos nosso compromisso de que tal reforma política seja feita dentro da estrita observância da Constituição Brasileira. O alvo final da reforma política que buscamos é a promoção da justiça de paz no Brasil.

Cabe ainda ressaltar nossa preocupação com o uso cada vez mais frequente de títulos religiosos por parte de candidatos que se pretendem representantes dos cristãos evangélicos. Uma das marcas da Reforma Protestante é sua diversidade de organização e pensamento; logo, ninguém está autorizado a falar ou a representar, na política partidária, os cristãos evangélicos. Embora, por respeito às liberdades individuais, não se deva impedir que alguém seja candidato utilizando na sua propaganda eleitoral seu título religioso, entendemos que, dentre as medidas saneadoras para política, o uso de título religioso seja reservado às finalidades religiosas e nunca para propaganda de candidatura eleitoral. É no mínimo questionável a seriedade com que toma própria religião aquele que não tem pudor de usá-la com finalidades eleitorais.

A Reforma Protestante é fruto direto do exercício da liberdade de pensamento e expressão. Estado e Igreja separados foi a fórmula encontrada para que as pessoas que pensam diferente umas das outras possam viver juntas em uma mesma sociedade. O Estado laico deve atribuir peso igual à opinião dos cidadãos religiosos e não religiosos em questões de interesse público.

Lamentamos que valores religiosos dos cidadãos sejam menosprezados sob o pretexto da laicidade estatal, assim como reprovamos quando pessoas e segmentos religiosos instrumentalizam o Estado para impor comportamentos que só fazem sentido se respaldados na escolha e na convicção pessoal. Não queremos um Estado religioso ou anti religioso. Buscamos um Estado laico, provedor do espaço para o diálogo respeitoso entre aqueles que possuem visões do mundo divergentes.

A Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, conhecida como Catedral Evangélica de São Paulo, estabelecida na cidade desde 1865, conclama mulheres e homens de boa vontade para somarem forças em favor da reforma política de verdade para o Brasil, tendo como horizonte de esperança o abraço fraterno entre graça e a verdade e o beijo entre a justiça e a paz.

                                                                                                          Soli Deo Gloria

¹ Vale de ossos secos, livro do profeta Ezequiel, capítulo 37, versículos primeiros ao 14º.